Perfil de Resultados Proficiência Clínica
Micologia
Fev/2013

Identificação
  Item MI01
  Qtd %
Todos os Resultados - GA 08
Candida albicans 147 80,8
Candida sp. 35 19,2
Resultado(s) aceito(s) Candida albicans ou Candida sp.
Resultados adequados 100%
Total de participantes 182

Identificação por imagem - Identificação
  Item MI02
  Qtd %
Todos os Resultados - GA 08
Trichophyton schoenleinii 135 79,4
Trichophyton sp. 16 9,4
Trichophyton concentricum 3 1,8
Fonsecaea pedrosoi 2 1,2
Cladosporium sp 2 1,2
Epidermophyton sp. 1 0,6
Hortae werneckii/Exophiala werneckii 1 0,6
(Outro, não listado) 1 0,6
Scytalidium sp. 1 0,6
Trichophyton mentagrophytes 1 0,6
Trichophyton rubrum 1 0,6
Exophiala werneckii 1 0,6
Scopulariopsis sp. 1 0,6
Acremonium sp. (Cephalosporium sp.) 1 0,6
Alternaria sp. 1 0,6
Aspergillus sp. 1 0,6
Candida sp. 1 0,6
Resultado(s) aceito(s) Trichophyton rubrum ou Trichophyton mentagrophytes ou Trichophyton schoenleinii ou Trichophyton concentricum ou Trichophyton sp.
Resultados adequados 85,6%
Total de participantes 170
 
  Item MI03
  Qtd %
Todos os Resultados - GA 08
Malassezia sp. 89 50,9
Malassezia furfur 77 44
Candida sp. 4 2,3
Paracoccidioides brasiliensis 1 0,6
Trichophyton sp. 1 0,6
Trichophyton rubrum 1 0,6
Candida stellatoidea 1 0,6
Microsporum gypseum 1 0,6
Resultado(s) aceito(s) Malassezia sp. ou Malassezia furfur
Resultados adequados 94,9%
Total de participantes 175

MI01 - Comentário técnico

As candidíases ou candidoses são micoses causadas por microrganismos eucariotas unicelulares de forma oval do gênero Candida. Estas células se denominam blastoconídios ou leveduras e se multiplicam por gemulação. Este gênero apresenta um polimorfismo celular, porque em algumas espécies podem se observar blastoconídios alongados e unidos em cadeia (pseudo-hifa ou pseudomicélio) e, em outras, como Candida albicans e C. dubliniensis, se formam tubos germinativos e hifas septadas em cujos ápices podem se observar células redondas, de parede grossa (clamidoconídios ou clamidósporos). O habitat do gênero é o digestório e pele. A maioria das espécies de Candida de importância médica cresce a 37ºC em 24-72 h, em meios comumente de cultivo microbiológico, em forma de colônias arredondadas, lisas (às vezes rugosas), brancas ou cremosas, com odor típico (de levedura de pão ou cerveja). Em meios mais específicos, como o ágar glicosado Sabouraud, podem-se apreciar melhor as características morfológicas destas colônias. Outros meios, como os denominados cromógenos (CHROagar Candida, ChromID Candida etc.) permitem a identificação presuntiva de várias espécies.
O diagnóstico micológico nos casos suspeitos de candidíase cutânea deve ser valorizado pelas estruturas observadas no exame micológico direto ou histopatológico. Por se tratar de um microrganismo da microbiota do hospedeiro a cultura só deve ser importante quando o exame direto demonstra as estruturas da levedura.

O critério utilizado na avaliação deste item levou em consideração a identificação do gênero Candida sp.. Dessa forma, todas as diferentes espécies identificadas pelos usuários do programa foram avaliadas como 2A, uma vez que a conduta clínica não depende, neste caso, da identificação dos diferentes grupos.


MI02 - Comentário técnico

No caso clínico apresentado é importante levar em consideração a origem do paciente, a cidade do Rio Grande do Sul. A distribuição geográfica dos dermatófitos pode ser considerada sob dois aspectos:
1. Limitação de certas formas clínicas a certas zonas geográficas:
a) O Favo, ou tinha fávica, é endêmico em vários lugares que circundam o Mediterrâneo, como o Norte Africano, Sul da Europa, Europa Oriental, Sul da Ásia. No Brasil, acha-se nos estados sulinos. De um modo geral, é encontrado entre as classes mais pobres, nos climas frios.
b) O Tokelau ou tinea imbricata incide em duas áreas bem distintas: entre os nativos das regiões de clima tropical do hemisfério oriental e em diversas tribos de índios brasileiros em Mato Grosso e Goiás.
2. Em relação aos agentes etiológicos que produzem os mesmos tipos de lesões, verifica-se uma discrepância muito grande; exemplificando com a tinha tricofítica do couro cabeludo, verificamos que no Rio de Janeiro isola-se, habitualmente, o T. tonsurans; em São Paulo, o T. violaceum. Já com a tinha microscópica, da mesma localização, o parasito mais frequente é o M. canis, enquanto que nos EUA é o M. audouinii, que praticamente inexiste no Brasil. O T. ferrugineum predomina no Congo, Angola, Japão. Já o T. rubrum é assinalado praticamente em todo o mundo.
O caso apresentado é de tinea fávica - também chamada favo, tinha favosa, tinha crostosa. Tem como característica clínica as lesões crostosas; estas, no couro cabeludo, chegam a dar impressão de um verdadeiro capacete. Quando observadas isoladamente, têm as bordas elevadas e a parte central deprimida, lembrando cratera de vulcão. Quando muitas crostas deste tipo estão agrupadas, lembram o favo de mel das colmeias: daí as denominações favo para a infecção e "godet fávico", para as crostas.
Descreve-se, ainda, um odor desagradável que exala das lesões, lembrando o cheiro de ninho de ratos. A infecção é endêmica em certas regiões da orla do Mediterrâneo, Europa Oriental, Iraque, Anatólia, em lugares frios, em meio socioeconômico de baixa categoria, de precárias condições higiênicas. No Brasil, os casos de tinha fávica ocorrem no sul do país. Costuma-se descrever o Trichophyton schoenleinii descrito por Remak, em 1845, como seu agente etiológico. Na verdade, outros dermatófitos podem produzir lesões semelhantes: T. violaceum, T. verrucosum e Microsporum gypseum. A infecção pode ir desde as formas mais benignas até as formas muito graves, generalizadas, viscerais, granulomatosas, transpondo, assim, a barreira dérmica e expressando-se como micose profunda. A observação de candelabro fávico na microscopia da colônia ajuda a caracterizar o agente etiológico.

O critério utilizado na avaliação deste item levou em consideração a identificação da espécie do Trichophyton schoenleinii, uma vez que era relevante clinicamente. Desta forma, o gênero e todas as diferentes espécies identificadas pelos usuários do programa foram avaliadas como 1A1I.


MI03 - Comentário técnico

Pitiríase versicolor é uma micose superficial, benigna e crônica. Agentes etiológicos: Malassezia furfur, M. globosa, M. obtusa, M. restricta, M. sloofiae, M. sympodialis. Compromete ambos os sexos, adultos entre 20 e 40 anos e peles seborreicas. O habitat está relacionado com a microbiota da pele humana. Na clínica são observadas máculas hipocrômicas ou hipercrômicas, descamativas, localizadas de preferência na face, pescoço e tórax. O diagnóstico laboratorial se baseia principalmente no exame direto: blastoconídios em cacho e hifas septadas curtas e curvas. A Cultura pode ser realizada, mas não tem valor diagnóstico.
Os diagnósticos aceitos foram Malassezia sp. e Malassezia furfur, sendo o mais correto o primeiro, para afirmar a espécie teria que ser feito a cultura em meios especiais.

Os usuários que identificaram o gênero ou a espécie receberam 2A.